NOTÍCIA

14 | 02 | 2008
Rita Lee comemora 40 anos de carreira com displays da ON
Tatiana Queiroz - Revista Luz & Cena - Edição #103

Rita Lee estendeu a toalha no palco do Canecão para fazer o seu Picnic, novo show que estreou no Rio de Janeiro, seguiu para Belo Horizonte, Goiânia, Brasília, Curitiba e chega a São Paulo em abril. Na cesta, muitos dos sucessos que marcaram os 40 anos de carreira da cantora mais rock'n'roll do Brasil. A turnê também celebra os 60 anos de Rita com uma festa para os ouvidos e para os olhos. Canções cantadas do início ao fim pela platéia como Lança perfume ganharam uma embalagem visual com os vídeos criados pela turma do Estúdio Bijari e com o projeto de luz de Silvio Francisco.

Um número de cabaré encenado pela vocalista Débora Reis abre o show e prepara a entrada de Rita em cena. Com o palco pintado em tons azulados pela luz, ela surge cantando Flagra enquanto, ao fundo, painéis de LEDs mostram a logomarca da turnê, uma estrela.


VÍDEOS E LUZ CONTROLADOS JUNTOS

O cenário é formado por quatro colunas centrais e oito texteiras de LEDs - quatro de cada lado do palco - espelhadas. As colunas centrais são compostas por 12 módulos de 8mm, formando um painel de 4,80 X 2,31m. Entre cada uma há um espaçamento de 0,20m. As testeiras laterais medem 3,84 X 1,28m e são compostas por 32 módulos de 10mm.

As centrais são presas no próprio urdimento enquanto que as laterais estão apoiadas no chão ou em cima de praticáveis. O projeto técnico dos displays de LED é da empresa ON, que forneceu seu galpão em São Paulo para os testes de luz e vídeo.

O conteúdo do vídeo é transmitido por dois computadores - um para os módulos de 8mm e outro para os de 10mm - através do software Arkaos. As imagens são controladas pelo sinal DMX que vem da mesa de luz Avolites Pearl 2008.

Alexandre Correa, operador de luz dos shows de Rita desde 1998, foi quem sugeriu o Arkaos, já usado por ele na turnê anterior da cantora, que tinha uma cortina de soft LED de 8m x 4m. "Já sabia um pouco de Arkaos e aprendemos a levá-lo para a mesa", diz.
Ele explica que o software entra como um moving light na mesa, ocupando 43 canais. "A vantagem de ser disparado por DMX em vez do teclado é que não é necessária uma mesa de corte para entrar em dimmer e sair. O dimmer do pré-set é o mesmo para vídeo e luz, possibilitando controlar os dois na mesma mesa, ficando mais dinâmica a execução e permitindo o maior controle".


IMAGENS DE ALTO CONTRASTE

O material exibido nos painéis é composto essencialmente por elementos gráficos. Ovelha negra é a única música em que há imagens de arquivo. Fotos e reproduções de capas de discos são mostradas nas telas centrais, compondo uma retrospectiva visual da vida e obra de Rita, enquanto nas testeiras se alternam o nome da cantora, trechos das letras das músicas e de cartazes de shows e algumas ilustrações.

"A idéia é que não fosse um cenário o tempo todo cheio de imagens, e muito menos imagens de Catalyst ou de arquivo. Queríamos imagens que fossem originais", conta o iluminador Silvio Francisco, que trabalhou em conjunto com o Estúdio Bijari, o produtor executivo da turnê, Oswaldo Thomaz Jr., e a coordenadora geral, Christianne Poladian - sempre com o acompanhamento de Rita e seu marido e diretor musical Roberto de Carvalho.


Para criar as outras imagens que aparecem durante quase todo o show, Flávio Araújo, do Bijari, conta que ele e o restante da equipe fizeram os vídeos com base na atmosfera da letra e da música e que por conta da luminosidade dos LEDs se preocuparam em criar imagens em alto contraste. Como exemplo, cita o momento em que Rita canta Roll over Beethoven, de Chuck Berry, acompanhada por silhuetas coloridas e animadas, criadas a partir de uma foto do cantor americano tocando guitarra, sobrepostas a um fundo preto.

Jardins da Babilônia começa com os telões escuros e ao longo da canção vão surgindo flores verdes até a entrada de esculturas dos leões da Babilônia, sugeridos pelo guitarrista Roberto de Carvalho.

Em Saúde, silhuetas correndo, com folhas sobrepostas remetem ao estilo de vida mais saudável pregado na música. Em contraponto, imagens de cigarro, hambúrguer e outras comidas nocivas à saúde são alternadas com cabeças de caveiras.

Mutante, começa com o palco monocromático, com luzes azuis focadas em Rita e Roberto, que depois dividem a cena com um olho rodeado por punhos cerrados e coloridos projetados nos painéis de LEDs. Doce vampiro lembra, obviamente, o vermelho de sangue, cor tanto emitida pelos refletores quanto pelos LEDs das telas que mostram um crepúsculo bem avermelhado.

Na nova Dinheiro, o estúdio Bijari fez uma animação com notas de R$100 em que a efígie simbólica da República é substituída pelo rosto de Rita e se alternam com desenhos de estrelas. Já em Tão, eles optaram por balões feitos à mão livre, usados para emoldurar sons em histórias em quadrinhos.

Para criar o visual de Corre-corre, Flávio conta que se inspirou na disco music e traçou linhas coloridas que lembram o movimento do néon nas discotecas.

Vítima tem um clima soturno, com o palco todo em congo e imagens em preto e branco captadas de túnel e prédios. Este é a única parte do show em que Rita interage com a imagem das telas centrais. Uma animação em 3D sonorizada de um helicóptero e moving lights simulam uma perseguição à cantora, que fica fugindo dos feches de luz branca. A música termina com a encenação de um assassinato, traduzido em imagens por um desenho de uma mão com um punhal e de sangue escorrendo.

Nem luxo, nem lixo e Agora só falta você são alguns dos momentos mais coloridos do show. A primeira é emoldurada por uma profusão de quadrados e a segunda por dois gráficos multicoloridos, um formado por argolas e outro por setas, dando um belo efeito visual. E como Agora só falta você é a última antes do bis, Rita agradece ao público por ter saído de casa para assisti-la através de frases estampadas no telão.

Rita volta ao palco para cantar Chiquita bacana e Cidade maravilhosa, tendo a silhueta de Carmem Miranda nos displays, emendadas em Lança perfume, música mais carnavalesca do repertório da cantora, com imagens descritivas e festivas no telão, como um spray de perfume e bolas subindo, como confetes.


BALANCEANDO LUZ E VÍDEO

Todo espetáculo em que há painéis de LEDs requer alguns cuidados para não comprometer o visual. As cores das luzes, por exemplo, devem entrar em harmonia com as emitidas pelos vídeos e vice-versa e a incidência das telas deve ser equilibrada para não ofuscar nem a luz, nem a visão da platéia. "O LED, sendo um emissor de luz, faz parte, praticamente, da iluminação. Toda luz foi feita em conjunto com o vídeos mostrados nos painéis de LEDs.", diz Silvio, que já havia trabalhado com a Rita Lee na turnê A Marca da zorra, de 1995. Segundo ele, essa foi a primeira turnê no Brasil que viajou com oito Cyberlights, que eram ainda controlados no LCD, uma grande novidade naquela época.

Para fazer contraluz e lateral de palco, o iluminador escolheu ribaltas de LEDs da SGM, oito no total."São para dar um corpo de luz bem grande porque a única luz que consegue competir com o LED é ele próprio. E mesmo as ribaltas tendo uma lente de 8° concentrada, têm uma luz que espalha bastante", diz. Ele ainda revela que só são usados de 15% a 25% da potência dos painéis de LEDs.

Nas músicas em que não há imagens, Silvio conta que optou por fazer algo no estilo dos anos 80, "bem rock'n'roll", com muitas ACLs e lâmpadas PAR. As 48 ACLs são para fazer efeito, sendo que 16 delas são distribuídas por quatro torres. As PARs fazem a contraluz nos músicos, que de frente, são iluminados por elipsoidais.

As lâmpadas PAR são de três cores claras e básicas, de correção, já que "os painéis de LED tem muita cor e informação". As cores mais fortes são projetadas por moving lights. "Não há gobos em nenhum moving light porque, para mim, os desenhos que estão no painel já são os gobos", diz o iluminador.


Ao todo, são 36 lâmpadas PAR de contra e 12 de frente. As de frente, Silvio revela que não entram em programação nenhuma, só no agradecimento final e em caso de emergência. Entre os movings, 12 Giottos 400, seis DTS wash, seis Studio Spot 575 e seis Studio Spot 250. Ainda há três canhões de 1200 para acompanhar os movimentos de Rita no palco e para alguns solos.

Como o teto do Canecão é muito baixo, em vez de minibrutis para iluminar a platéia, Silvio optou por quatro setlights. "Para mim, são suficientes, senão torra a retina das pessoas", diz. Os refletores usados na estréia são da Companhia da Luz, empresa que fornece todo o equipamento de iluminação para o Canecão.